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O Outubro Alemão: A revolução perdida de 1923

Parte 1

Por Peter Schwarz
8 de dezembro de 2008

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Este artigo, publicado em três partes, é baseado numa palestra apresentada no verão de 2007.

Em 1923, uma situação revolucionária extremamente favorável desenvolveu-se na Alemanha. Em 21 de dezembro, o Partido Comunista Alemão (KPD), em estreita colaboração com a Internacional Comunista (Comintern ou, ainda, III Internacional), preparou uma insurreição e cancelou-a no último minuto. Trotsky, depois, falou de "um clássico exemplo de como é possível perder uma situação revolucionária excepcional de importância histórica e mundial". [1]

A derrota alemã de 1923 teve conseqüências de longo alcance. Graças a ela, a burguesia alemã consolidou seu domínio e estabilizou a situação por seis anos. Quando a próxima grande crise irrompeu, em 1929, a classe trabalhadora foi totalmente desorientada pela direção stalinista do KPD. Isso levou diretamente aos eventos fatais que culminaram na ascensão de Hitler ao poder. A nível mundial, a derrota do Outubro Alemão aprofundou o isolamento da União Soviética e constituiu, portanto, um importante fator psicológico e material que fortaleceu a ascensão da burocracia stalinista.

A palestra de hoje irá se concentrar nas lições estratégicas e táticas do Outubro Alemão, lições que se transformaram rapidamente em um assunto polêmico de disputa entre a Oposição de Esquerda e a Troika liderada por Stalin, Zinoviev e Kamenev. Antes de tratarmos desses assuntos, faz-se necessário relatar os eventos de 1923.

A Alemanha em 1923

Todas as questões básicas que empurraram o imperialismo à Primeira Guerra Mundial em 1914 — acesso a mercados e matéria-prima para sua indústria dinâmica e a reorganização da Europa sob sua hegemonia — continuaram sem solução em 1923. Além de terem perdido a guerra com um tremendo custo de vidas humanas e recursos materiais, a Alemanha foi obrigada pelo acordo de Versalhes a pagar quantias imensas em reparação ao seu maior rival, a França, assim como a outras potências imperialistas.

Os anos imediatamente após a Guerra, de 1918 a 1921, caracterizaram-se por uma série de levantes revolucionários que somente foram abafados pelos esforços conjuntos da Social-Democracia e das forças paramilitares de direita. Em 11 de janeiro de 1923, as tropas francesas e belgas ocuparam o Ruhr e reascenderam a crise social e política na Alemanha.

O governo francês justificou a ocupação militar do centro da indústria alemã de aço e carvão declarando que a Alemanha não havia cumprido com suas obrigações de pagar as reparações de guerra. O governo alemão — um regime de extrema direita liderado pelo industrialista Wilhelm Cuno e tolerado pelo Partido Social-Democrata — reagiu chamando resistência pacífica. Na prática, isso significou o boicote das forças de ocupação pelas as autoridades locais e as companhias do Ruhr. O governo continuou a pagar os salários da administração local e ofereceu subsídios aos barões do carvão e do aço para compensar suas perdas.

O resultado desses enormes gastos e da ausência de carvão e aço do Ruhr, produtos de extrema necessidade, foi o colapso completo da moeda alemã. O marco, já altamente inflado, era negociado a 21.000 por dólar no início do ano. Ao final do ano, quando a inflação alcançou seu ápice, a taxa de câmbio chegou a quase 6 trilhões de marcos por dólar — um número com 12 casas decimais!

O impacto social e político da hiperinflação foi explosivo. A sociedade alemã foi polarizada de forma jamais vista. Para os trabalhadores, a inflação era uma ameaça à vida. Quando recebiam seus salários ao final da semana, estes mal cobriam o valor do papel sobre o qual as enormes somas eram impressas. As esposas aguardavam nos portões das fábricas para correrem ao mercado mais próximo e comprarem algo antes que o dinheiro perdesse seu valor no dia seguinte.

Só para dar um exemplo: um ovo custava 300 marcos no dia 3 de fevereiro. Em 5 de agosto, custava 12.000 marcos e, três dias depois, 30.000 marcos. Mesmo sendo os salários ajustados com a inflação, o salário médio calculado em dólares caía 50% ao longo de 6 meses. Ao mesmo tempo, o número de desempregados inflava — de menos que 100.000 ao início do ano a 3,5 milhões de desempregados e 2,3 milhões de trabalhadores em empregos a curto-prazo ao final do ano.

Mas os trabalhadores não eram os únicos arruinados pela hiperinflação. Aqueles que viviam em pensões perderam todos os seus meios de subsistência. Aqueles que haviam economizado um pouco de dinheiro perdiam tudo da noite para o dia. Para sobreviver, muitos tinham que vender suas casas, jóias e tudo mais que houvessem guardado durante toda a vida, apenas para descobrirem, no dia seguinte, que o rendimento não valia mais nada.

Arthur Rosenberg, que escreveu a primeira história oficial da república de Weimar, em 1928, afirmou: "A expropriação sistemática das classes médias alemãs, não por um governo socialista, mas por um Estado burguês dedicado à defesa da propriedade privada, foi um dos maiores roubos da história mundial". [2]

Do outro lado do abismo social estava um grupo de especuladores, aproveitadores e industrialistas que fizeram enorme fortuna com a inflação. Qualquer um que obtivesse acesso a moedas estrangeiras ou a ouro poderia exportar mercadorias alemãs ao exterior e colher lucros enormes, devido aos baixos salários. Essas eram as forças por detrás do governo Cuno. O mais famoso deles foi Hugo Stinnes, que comprou 1.300 fábricas e fez bilhões nesse período. Stinnes também foi, nos bastidores, um grande articulador político.

A polarização social e a falência das classes médias fez surgir uma aguda polarização política.

O Partido Social-Democrata Alemão (SPD) perdeu rapidamente tanto membros quanto eleitores e desintegrou-se. Desde a derrubada do Kaiser pela Revolução de Novembro de 1918, ele havia se aliado ao alto comando militar e às forças paramilitares de direita, as Freikorps, para reprimir a revolução proletária e assassinar seus líderes mais destacados — Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.

O SPD era o único partido na Alemanha que defendia a república de Weimer incondicionalmente. Todos os outros partidos burgueses preferiram uma forma mais autoritária de dominação. Friedrich Ebert, líder do SPD, foi o primeiro presidente da República de Weimer. Ele ocupou o gabinete presidencial até sua morte, em 1925, isto é, durante todo o período do qual tratamos nesta palestra.

O papel contra-revolucionário do SPD afastou muitos trabalhadores e levou-os ao Partido Comunista Alemão, o KPD. Mas, no início de 1923, os sindicatos e camadas de trabalhadores mais conservadoras ainda apoiavam o SPD. Com o impacto da inflação, isso mudou rapidamente.

O historiador Rosenberg, membro dirigente do KPD em 1923 (mais tarde Rosenberg juntou-se ao SPD), escreve: "Durante o ano de 1923, o SPD perdeu forças de forma constante... Os sindicatos, em especial, que sempre haviam sido o principal pilar de influência do SPD, estavam em total desintegração... Milhões de trabalhadores alemães não queriam mais ouvir ou falar das velhas táticas sindicais e abanaram as associações... A desintegração dos sindicatos era sinônimo da paralisia do SPD". [3]

Enquanto o SPD se desintegrava, trabalhadores social-democratas ouviam atentamente o que os comunistas tinham para dizer. Dentro do SPD desenvolveu-se uma ala esquerda pronta para colaborar com o KPD. Como veremos, governos de coalizão da esquerda do SPD e KPD foram formados na Saxônia e Turíngia por um breve período de outubro. Enquanto o número de filiados do SPD diminuía, a influência do KPD crescia. Seus filiados cresceram de 225 mil para 295 mil dentro de um ano.

Não houve eleições nacionais entre 1920 e 1924, portanto não há estimativas confiáveis do apoio eleitoral do KPD. Mas, uma eleição ocorrida no pequeno estado rural de Mecklenburg-Strelitz nos dá uma idéia. Em 1920, o SPD recebeu 23.000 votos e o SPD-Independente (USPD, que mais tarde juntou-se ao KPD), 2.000. O KPD não participou. Em 1923, ambos, o SPD e o KPD, receberam aproximadamente 11.000 votos. No Saar, uma região mineira antes dominada pelo catolicismo, o KPD aumentou sua votação entre 1922 e 1924 de 14.000 a 39.000.

Dentro dos sindicatos, a influência comunista crescia proporcionalmente à custa do SPD. Quando os delegados do congresso da União dos Trabalhadores Metalúrgicos da Alemanha foram eleitos em Berlim, o KPD teve muito mais votos do que o SPD. Receberam 54.000 votos, enquanto que o SPD obteve 22.000 — menos que a metade do KPD. De acordo com um líder do KPD, em junho o partido tinha 500 seções nos principais sindicatos. Aproximadamente, 720.000 metalúrgicos apoiavam os comunistas. O historiador da Alemanha ocidental, Hermann Weber, comenta em seu livro sobre a história do KPD: "O ano de 1923 mostrou uma crescente influência do KPD, que tinha provavelmente a maioria dos trabalhadores socialistas por detrás". [4]

O KPD antes de 1923

Em 1923 o KPD era tudo, exceto um partido unificado. Tinha apenas quatro anos de idade, mas já havia passado por eventos tumultuosos, diversas mudanças na direção, rachas e fusões e estava afetado por intensas divisões internas.

Seu líder teórico e político mais brilhante foi, sem sombra de dúvida, Rosa Luxemburgo, que fora assassinada apenas duas semanas antes da fundação do partido — uma perda irreparável. Luxemburgo era uma revolucionária de enorme coragem e integridade. Seus escritos sobre o revisionismo e sua luta contra o giro à direita da Social-Democracia — que vislumbrou antes e mais precisamente do que Lênin — são parte do que já foi escrito de melhor na literatura marxista.

Mas, assim como Trotsky — e por mais tempo que ele — Luxemburgo não tirou as mesmas conclusões organizativas que Lênin tirou, corretamente, do revisionismo. Mesmo depois de 4 de Agosto de 1914, quando formou o Gruppe Internationale, mais tarde chamado de Spartakusbund [Liga Espártaco], Luxemburgo não rompeu formalmente com o SPD. Seu slogan era: "Não abandone o partido, mude o rumo do partido".

Em 1915, os espartaquistas rejeitaram o chamado de Lênin por uma nova internacional na Conferência de Zimmerwald e, mais tarde, em Março de 1919, o delegado do KPD para o primeiro congresso da Terceira Internacional, Hugo Eberlein, absteve-se na votação para a fundação de uma nova internacional. Ele fora instruído pelo KPD a votar contra, mas foi persuadido em Moscou de que a decisão era correta — então absteve-se.

Quando o SPD-Independente (USPD) foi formado em 1917, por membros do SPD pertencentes ao Reichstag [Parlamento Alemão] que foram expulsos do SPD por se recusarem a votar por novos créditos para a guerra, Luxemburgo e a Liga Espártaco uniram-se a essa organização centrista com uma facção. Fizeram isso apesar do fato de que entre os lideres mais proeminentes do USPD estavam Karl Kautsky e Eduard Bernstein, líder teórico do revisionismo alemão.

Luxemburgo justifica isso em um artigo declarando que a Liga Espártaco não se uniu ao USPD para dissolver-se em uma oposição enfraquecida. "Ela se uniu ao novo partido — confiante no agravamento cada vez maior da situação social e trabalhando por isso — para impulsionar o partido adiante, para ser sua consciência encorajadora... e para tomar a liderança do partido", escreveu ela. [5]

Luxemburgo atacou severamente a Esquerda de Bremen — liderada por Karl Radek e Paul Frölich, posteriormente biógrafo de Luxemburgo — que se recusou a entrar para a USPD e a descreveu como uma perda de tempo. Ela denunciou sua defesa de um partido independente como um Kleinküchensystem ["sistema de pequenas cozinhas", no sentido da fragmentação] e escreveu: "É uma pena que esse sistema de pequenas cozinhas esqueceu-se do principal, as condições objetivas, que, em última análise, são decisivas e serão decisivas para a ação das massas... Não é suficiente que um punhado de pessoas tenha a melhor receita em seus bolsos e saibam como conduzir as massas. O pensamento das massas deve ser libertado das tradições dos últimos 50 anos. Isso só é possível com um grande processo de continua auto-crítica interna do movimento como um todo". [6]

Foi somente em Dezembro de 1918, um mês depois que três líderes do USPD uniram-se a um governo provisório, liderado pelos lideres de direita do SPD Friedrich Ebert e Philipp Scheidemann, que os espartaquistas romperam com o USPD. O Governo de Ebert tornou-se o executor da revolução de Novembro. Ele logo se aliou ao comando militar. O USPD, que já tinha cumprido seu papel, não era mais necessário.

No final do ano, em meio a violentas lutas revolucionárias, o KPD foi finalmente fundado pela Liga Espártaco, pela Esquerda de Bremen e mais outras organizações de esquerda.

O atraso na fundação de um verdadeiro partido revolucionário, independente dos Social-Democratas e dos centristas se deu por conta, até certo ponto, das muitas tendências ultra-esquerdistas que surgiram na Alemanha no inicio dos anos 1920. A traição do SPD — primeiro em 1914, quando apoiou a guerra e, depois, em 1918, quando afogou a revolução em sangue — levou a uma reação entre os trabalhadores que, na ausência de uma organização resoluta de cunho Bolchevique, buscaram diferentes formas ultra-esquerdistas ou mesmo anarquistas. Esse problema iria atormentar o KPD por um longo tempo.

No congresso de fundação do KPD, Luxemburgo estava com uma minoria em relação a participar das eleições para a assembléia nacional. A maioria era contra. Também havia muitas outras tendências ultra-esquerdistas fora do partido.

Em Abril de 1920, depois de uma revolta armada de trabalhadores em Ruhr, a esquerda rachou e formou o KAPD [Partido Comunista Operário da Alemanha], promovendo idéias ultra-esquerdistas, anti-parlamentaristas e anarquistas. O KAPD levou consigo uma considerável parcela dos membros do KPD — de acordo com algumas fontes, a maioria. Mas se desintegrou rapidamente, já que não tinha um programa coerente. A Internacional Comunista, com algum sucesso, tentou reaver as seções ainda sãs do KAPD e até mesmo os convidou para um de seus congressos.

Entretanto, em 1919 foi principalmente o USPD que se beneficiou com o giro a esquerda da classe operária. Na eleição de 1920 ao Reichstag, o SPD recebeu 6 milhões de votos, o USPD 5 milhões e o KPD 600,000.

O USPD foi um clássico partido centrista. A direção caminhava para a direita, cruzando com trabalhadores que caminhavam para a esquerda. Muitos trabalhadores que apoiavam o USPD admiravam a União Soviética. Os lideres de direita do USPD encontravam-se cada vez mais isolados. Com suas 21 condições para associação, o Segundo Congresso da Internacional Comunista aprofundou os rachas dentro do USPD.

Em Dezembro de 1920, a maioria finalmente se uniu ao KPD — ou VKPD [Partido Comunista Unificado da Alemanha], como ficou conhecido por algum tempo. A minoria, mais tarde, voltou a se unir ao SPD. A fusão com o USPD aumentou cinco vezes a quantidade de membros do KPD e o transformou num partido de massas. Mas, os novos membros trouxeram consigo muitos vícios do passado e tradições centristas do USPD.

Em Março de 1921, uma revolta fracassada na Alemanha Central — a chamada Märzaktion [Ação de Março] — provocou uma nova crise nas fileiras do KPD. Depois que o governo nacional enviou unidades policiais até as fábricas para desarmar os operários, o KPD e o KAPD chamaram greve geral e a derrubada do governo nacional. Esse levante foi claramente prematuro e acabou numa derrota sangrenta.

Aproximadamente 2.000 trabalhadores foram mortos na luta e na violenta repressão que se seguiu. Por conseguinte, Paul Levi, amigo próximo de Rosa Luxemburgo e um dos principais líderes do partido, que corretamente se opôs ao levante desde o começo, impiedosamente atacou o partido em publico. Ele foi expulso e, depois, voltou ao SPD.

Os eventos do Março Alemão foram o foco do debate no Terceiro Congresso da Internacional Comunista, realizado de 22 de Junho a 21 de Julho de 1921, em Moscou. Trotsky mais tarde descreveu o Congresso como um "marco" e resumiu sua significância da seguinte forma: "Ele apontou o fato de que os recursos dos partidos comunistas, tanto politicamente quanto organizativamente, não foram suficientes para a conquista do poder. Ele promoveu o slogan ‘Às massas,' isto é, a conquista do poder através de uma conquista anterior das massas, realizada com base na vida cotidiana e nas lutas. As massas continuam vivendo sua vida cotidiana em uma época revolucionaria, mesmo que de uma maneira diferente..." [7]

O Terceiro Congresso desenvolveu exigências transitórias, a tática da Frente Única e a palavra de ordem de Governo Operário, para ganhar a confiança dos trabalhadores que ainda apoiavam os Social-Democratas. Insistia-se na necessidade de trabalhar nos sindicatos.

Isso foi de encontro com a resistência furiosa das tendências de esquerda e ultra-esquerda dentro do KPD, que promoviam a chamada "teoria ofensiva" e rejeitavam qualquer forma de compromisso, assim como o trabalho no parlamento e nos sindicatos. Eles eram apoiados por Nikolai Bukharin, que seria mais tarde o líder da Oposição de Direita, que defendia uma "ofensiva revolucionaria ininterrupta". Foi em resposta a essas tendências que Lênin escreveu seu folheto "Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo".

Ao estudarmos esses conflitos, é notável que Lênin, assim como Trotsky, tenha tentado uma aproximação extremamente paciente das diferentes facções no KPD. Eles tentaram educar, explicar, integrar e prevenir rachas prematuros. Contiveram os esquentados da esquerda e da direita, que queriam expulsar seus oponentes. Tentaram manter Levi no partido até que seu comportamento provocativo tornou a tarefa impossível.

Durante o Terceiro Congresso, eles passaram horas discutindo em pequenos grupos com diferentes facções da KPD. Ao mesmo tempo em que eram intransigentes em relação à esquerda infantil, também perceberam certo conservadorismo na liderança do partido, a qual essas esquerdas atacavam. Em outras palavras, Lênin e Trotsky tentaram desenvolver uma direção balanceada e experiente, treinada para lidar com contradições e reagir rapidamente assim que uma situação se alterasse, o que entra em choque com as praticas que a Comintern desenvolveu sob a direção de Stalin.

Continua

[traduzido por movimentonn.org]

Notes:
1. Leon Trotsky, The Lessons of October, in The Challenge of the Left Opposition (1923-25), p. 201.[return]
2. Arthur Rosenberg, (Entstehung und Geschichte der Weimarer Republik, Frankfurt am Main: Athenäum 1988), p. 395.[return]
3. Ibid., p. 402.[return]
4. Hermann Weber, (Die Wandlung des deutschen Kommunismus, Band 1, Frankfurt 1969), p. 43.[return]
5. Rosa Luxemburg, (Rückblick auf die Gothaer Konferenz, in Gesammelte Werke, Band 4, Berlin 1974), p. 273.[return]
6. Ibid., p. 274.[return]
7. Leon Trotsky, (The Third International After Lenin, New Park: 1974), pp. 66-67.[return]