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Novos protestos em atenas e atos de solidariedade em toda a europa

Por Chris Marsden
19 de dezembro de 2008

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Este artigo apareceu no wsws.org originalmente em inglês no dia 13 de dezembro de 2008.

Na sexta-feira, dia 12, jovens confrontaram a policia em atenas em repudio ao assassinato pela polícia do jovem Alexis Grigoropoulos, de 15 anos. Milhares participaram da manifestaçao contra o governos e, após uma semana, os protestos não demonstraram sinais de declínio.

Milhares de pessoas, principalmente estudantes e profssores, se reuniram fora da universidade de atenas, e marcharam em direção ao parlamento, gritando: "O Sangue exige vingnça!" e "Um sob a terra, mil nas ruas!" À frente da marcha, uma faixa com os dizeres "Estado Assassino".

As vias foram bloqueadas ao redor do parlamento, protegido por milhares de policiais. Antes do inicio da manifestação, jovens jogavam molotovs e pedras na polícia, que revidava com gás lacrimogêneo. A tropa de choque atacou um grupo de 100 jovens, prendendo vários e levando-os ao chão, de acordo com a agência France-Press. Granadas de efeito moral também foram disparadas. Em seguida, manifestantes entraram na sede do Banco Nacional da Grécia, cujos funcionários fugiram; uma estação privada de radio foi brevemente ocupada, onde uma declaração foi lida ao vivo e um prédio municipal no noroeste da cidade de Ioannina também foi brevemente ocupado.

Outra manifestação ocorreu Thessaloniki, a segunda maior cidade da Grécia. Relatos indicam que o suprimento policial de gás lacrimogeneo está quase esgotado ? após o disparo de cerca de 4.600 cápsulas em apenas uma semana ? e que a polícia grega está recorrendo a Israel e Alemanha em busca de suprimentos emergenciais. A violência empregada contra os manifestantes é tamanha, que pais e outros adultos chegaram a se interpor entre os jovens e a polícia.

Na quinta-feira, jovens confrontaram a polícia no entorno do local onde Grigoropoulos foi baleado, a Escola Politécnica de Atenas, no distrito de Exarchia. A Politécnica está ocupada desde segunda-feira. Os estudantes realizaram protestos em 120 escolas e 15 unidades através da nação, além de terem bloqueado 10 grandes ruas da capital.

Uma greve geral de 24h foi realizada na quarta-feira, 10 de dezembro, contra o orçamento apresentado pelo Primeiro Ministro Kostas Karamanlis, no qual consta o auxílio de 28 bilhões de euros aos bancos (o que também esquentou os ânimos contrários ao governos). Manifestantes gritavam "Fora Karamanlis", enquanto mais de 1.000 policiais cercavam o prédio do parlamento. No mesmo dia, o oficial de polícia Epaminondas Korkoneas foi acusado de homicídio voluntário e uso ilegal de sua arma de serviço. Vassílios Saraliotis, outro policial, foi apontado como cúmplice.

Houve uma revolta geral diante do fato de Korkoneas não ter expressado arrependimento em relação ao assassinato. O jornal Ethnos descreeu tal acontecimento como "jogar álcool no fogo".

Fora do tribunal, bombas de gasolina eram lançadas ao mesmo tempo em que o advogado do oficial, Alexis Kouyais, falava aos repórteres. A defesa do advogado ? que descreve Grigoropoulos como um "hooligan" que fora expulso da escola ? foi condenada pela Athens Bar Association [associação de advogados da cidade] como "absurda e contrária ao código de ética dos advogados". Além disso, a escola do estudante também rejeitou as acusações do advogado.

"Caluniar um garoto morto de 15 anos, seja pessoalmente ou repetindo para a grande mídia as opiniões de seu cliente, assim como difamar os advogados que não aceitaram assumir sua defesa, é uma contravenção às regras da deontologia na prática da lei e ao dever. Trata-se de um novo assassinato ? ético ? que alimenta as tensões nesses dias em que toda a sociedade rega se levana e protesta em tributo à sua memória e contra arbitrariedade policial", escreveu a associação de advogados em sua nota. Em decorrência disso, Koyais se depara, agora, com a ameaça de demissão.

A prisão da cidade de Korydallos, onde estão detidos os dois policiais reponsáveis pelo assassinato, foi cercada por estudantes secundaristas. Milhares de estudantes maracharam em direção às delegacias de polícia, em Patissia, Glyfada, Illioupolis, Korydallos, Melissia e outras áreas de Atenas. Ao menos 10 cidades foram atingidas por protestos.

Houve também uma série de protestos solidários por toda a Europa e já há relatos de manifestaçoes em mais de 20 países. Gregos protestaram em Paris, Berlin, Londres, Roma, Haia, Moscou, Nova Iorque e Chipre.

De acordo com a Reuters, manifestantes na Espanha, Dinamarca e Itália "quebraram janelas de lojas, lançaram molotovs contra a polícia e atacaram bancos". Houve 11 prisões na Espanha e 62 em Copenhague.

Karamanlis, que possui uma estreita maioria no parlamento, rejeitou a reivindicação por sua demissão e pela antecipação das eleiçoes. Na sexta-feira, insistiu que, em tempos de crise, o país necessita de uma "mão firme".

"Esta é a minha preocupação e a prioridade do governo, e não criar cenas cobre eleições ou sucessões", disse aos repórteres num encontro da União Européia em Bruxelas. Também denunciou a "violência cega" e a "atividade dos elementos extremistas". Já a BB,c falando sobre a situação do governo, disse: "Correspondentes nos informam que o governo poderá impor um estado de emergencia para acabar com a violencia, o que já transparece nas tropas chamadas para conter as manifestações".

Tão profundo é o ódio a respeito do assassinato do jovem garoto que, numa discussão no parlamento, o Ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, reconheceu o que chamou de "assassinato" e prometeu que " a justiça será feita". No entanto, seguiu defendendo a polícia e a repressão aos que protestavam. "Incidentes isolados, não importanto quão abomináveis, não podem manchar a imagem da polícia, que atua dentro dos limites da legalidade", disse. E alertou: "Os inimigos da democracia não se manterão quietos por muito tempo. Não toleramos isso e jamais toleraremos".

O novo Governo Democrata enfrenta oposição do Partido Comunista da Grécia (KKE), dirigido por Spyro Halvatzis, e da Coalizão da Esquerda Radical (SYRIZA), liderada no parlamento por Alekos Alanvancos. Ambos os partidos se solidarizaram com as palavras proferidas por Pavlopoulos, condenando os protestos violentos. Halvatzis afirmou que muitos dos que participam dos protestos não são estudantes, enquanto Alavancos disse que seu partido "condena a violência" e tem reivindicado uma reorganização da polícia em bases democráticas.

Todo o possível está sendo feito pelos partidos de oposição, liderados pelo Movimento Socialista Pan-Helênico (PASOK), assim como pelos sindicatos, para isolar os estudantes e jovens e restabelecer a ordem. Mas nenhum deles têm atuado tão resolutamento quanto o Partido Comunista. Este assumiu as acusações, feitas pela direita, de que o SYRIZA ? que inclui antigos euro-comunistas saídos do KKE e outros pequenos grupos radicais ?, está apoiando a violência.

A manifestação de ontem foi convocada com base numa declaração comum das "organizacoes anti-capitalistas de esquerda" chamando "manifestaçoes por toda a Grécia contra o governo assassino" e denunciando a repressão policial com o seguinte slogan: "Abaixo este governo de assassinos e ladrões!"

Os stalinistas mais linha-dura do Partido Comunista têm chamado todos aqueles que participaram do s protestos de "provocadores" e têm sido homenageados pela Ministra do Trabalho, Fani Palli-Petralia, por sua atitude "responsáel". A própria manifestação do KKE buscou a "paz social" contra os "ultra-esquerdistas" e os "anarquistas". As organizações de juventude do KKE têm trabalhado dentro e fora das universidades, tentando proibir os etudantes de se posicionarem nos protestos, ocupações e assembléias.

[traduzido por movimentonn.org]