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Fechamento de fábricas e demissões nos EUA e Europa

Por Patrick O`Connor
21 de outubro de 2008

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Publicado originalmente em inglês em 18 de outubro de 2008

Empresas industriais e manufatureiras dos EUA e Europa estão reduzindo drasticamente sua produção e demitindo trabalhadores na medida em que a economia mundial paralisa. Demissões e fechamento de fábricas, combinados com uma série de boletins econômicos publicados recentemente, indicam que as economias norte-americana e européia estão em uma situação significativamente pior do que os economistas pensaram anteriormente.

As montadoras dos USA, beirando a falência, intensificam seus ataques aos empregos dos trabalhadores automobilísticos. A General Motors anunciou na quinta-feira que demitirá 1.600 trabalhadores em três fábricas, uma em Delaware e duas em Michigan (Pontiac e Detroit). Também anunciou nessa semana que estava previamente planejando o fechamento de fábricas em Janesville, Wisconsin, Grand Rapids, Michigan e Moraine, Ohio.

A ex-gigante industrial reduziu sua força de trabalho norte-americana quase pela metade desde 2000 e os trabalhadores sindicalizados da empresa caíram de 133.000 para apenas 72.000. Mais demissões nos próximos meses são esperadas.

A Chrysler e a GM têm realizado uma série de discussões em tentativas desesperadas de superar a crise financeira. A Chrysler está, inclusive, considerando uma fusão ou parceria com a Renault-Nissan. Cerebus Capital Management, dono da Chrysler, já eliminou 22.000 empregos desde o começo de 2007 e tem planos de corte de, no mínimo, mais 4.000 no próximo ano, deixando a empresa automobilística com apenas 60.000 trabalhadores.

Qualquer fusão envolvendo a Chrysler ou a GM inevitavelmente significaria o fim de mais dezenas de milhares de empregos. Gerald Myers, ex- chefe executivo de uma empresa automobilística e agora professor da Universidade de Michigan, falou ao Washington Post sobre uma potencial fusão Chrysler-GM. “Isso seria um banho de sangue”, declarou. “A Chrysler seria destruída em pequenos pedaços. A GM cuspiria as coisas que ela não quer mais e pegaria as que quer”.

Um boletim do Federal Reserve publicado na quinta-feira mostrou que a produção industrial norte-americana caiu 2.8% em setembro, o maior declínio desde dezembro de 1974 e, substancialmente, mais elevado que o declínio de 0.8% esperado pelos economistas. Para o terceiro semestre, como um todo, a produção industrial caiu 6% se comparado com a do ano anterior.

Um boletim separado publicado pelo Philadelphia Federal Reserve mostrou um declínio recorde na atividade manufatureira na região da Philadelphia. O boletim seguiu o comunicado do início dessa semana, com dados similares do Estado de Nova Iorque.

Uma pesquisa publicada ontem pela Universidade de Michigan mostrou que os gastos do consumidor norte-americano cairam mais drasticamente nesse mês que em qualquer outro mês desde registros de 1978.

O mercado imobiliário, outro indicador importante, continua a cair. O Departamento de Comércio publicou dados ontem, mostrando que a construção de novos imóveis caiu cerca de 6.3% no mês passado, de longe mais alto que os antecipados 1.6% de queda. A construção imobiliária agora está em seu passo mais lento desde janeiro de 1991.

A contração (econômica) não se limita aos EUA. Na Alemanha, a maior economia da Europa, o governo revisou esta semana suas previsões para 2009 sobre o crescimento dos PIB do país, de 1.2% para 0.2%. Na quarta-feira, um dia antes, as estimativas oficiais foram publicadas, um boletim conjunto emitido pelos quatro principais institutos econômicos também previu uma taxa de crescimento de 0.2%, mas advertiram que, em “um cenário de catástrofe” a economia poderia diminuir em 0.8%. A pesquisa alertou que até 400.000 empregos alemães poderiam acabar em 2009.

Um boletim publicado nessa semana pela European Automobile Association descobriu que os registros para novos passageiros de veículos na Europa caíram 8.2% mês passado comparados ao ano passado. Dois grandes fabricantes de auto peças na Alemanha anunciaram nessa semana “significantes” demissões de trabalhadores temporários, e a gigante automobilística alemã Daimler disse que fecharia a sua Sterling Caminhões, fechando fábricas em Ohio, Canadá e Oregon.

Outros países europeus também reavaliaram suas taxas de crescimento esperadas. O Reuters publicou na quinta-feira: “A Itália cortou sua previsão de crescimento para 2009 de 0.9 para 0.5 e o primeiro-ministro francês François Fillon disse no começo dessa semana que seu país poderia errar o alvo numa projeção oficial para o crescimento de 1.0% no próximo ano”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia espanhola passará por uma severa recessão no ano que vem, com -2% no crescimento do PIB. Uma sondagem trimestral da Reuters, feita por 24 economistas, liberada nesta semana descobriu que 23 deles acreditavam que a Inglaterra já estaria em uma recessão; a previsão da média do crescimento do PIB para 2009 foi de apenas 0.2%.

A Nissan anunciou nessa semana que cortaria 1.680 empregos em sua fábrica em Barcelona, Espanha. O The Guardian noticiou que a fabricante de carros espanhola pertencente a Volkswagen planeja demitir temporariamente 4.700 trabalhadores em uma de suas fábricas em Barcelona. Isso acompanha o anúncio da empresa de que estaria reduzindo a produção anual em 5% e demitindo no mínimo 750 trabalhadores. Também na Espanha, a produtora de pneus Bridgestone está planejando cortar 2.800 empregos de um total de 3.300 em duas fábricas.

Paul Betts, comentarista do Financial Times, publicou na quinta-feira: “Nenhum dia sequer passou durante essa semana sem alguma grande empresa anunciar uma significante redução dos seus planos anteriores de investimentos, as prateleiras de uma importante aquisição ou todas as formas de corte de custo e outras medidas de reestruturação”.

O preço do petróleo ficou abaixo de $70 o barril nessa semana, pela primeira vez em mais de um ano, refletindo um abrandamento das taxas de produção e consumo mundial. A extrema volatilidade, principalmente para baixo, sobre os mercados bolsistas mundiais, apesar da série de resgates financeiros anunciados nos EUA e Europa, reflete uma crescente consciência de que a crise financeira é apenas uma expressão das contradições mais profundas do movimento da economia mundial.

“Investidores estão reconhecendo que a crise financeira não é o problema fundamental,” dizia um artigo publicado na quinta-feira no New York Times. “Isso tem apenas amplificado os males econômicos que agora estão intensificando: desaparecimento de dinheiro, queda nos preços imobiliários e gastos reduzidos. E não há alívio à vista”.

É agora amplamente reconhecido que nenhuma das medidas de resgates financeiros econômicos prevenirão a propagação da recessão. Os trilhões de dólares de dinheiro público sendo concentrados no mundo bancário e instituições financeiras estão destinadas a isolar a elite financeira das conseqüências da crise pela qual eles mesmos são os responsáveis.

Nenhum governo propôs um resgate de emergência que visa resgatar a catástrofe que envolve a classe trabalhadora. Não haverá resgate financeiro para milhões de cidadãos ameaçados a perda de seus empregos, poupanças ou imóveis.

Como a campanha presidencial norte-americana adentra suas duas semanas finais em meio a intensificação da crise econômica, o abismo entre o interesse dos dois principais partidos e os interesses da maioria da população se torna cada vez maior.

O candidato republicano John McCain ocupa-se simultaneamente de denunciar demagogicamente a “ganância e os excessos de Wall Street” e fazer promessas sobre a desregulamentação das corporações e corte nos impostos das mesmas. Ele se comprometeu a equilibrar o orçamento federal em cinco anos, somente não explicou como isso será feito, dado que a injeção de US$ 2,5 trilhões em resgate feita pela gestão Bush já começa a aumentar o déficit orçamentário para mais de US$ 2 trilhões. McCain disse, entretanto, que imporia um congelamento de um ano a todos os gastos não-militares e reformaria os seguros sociais, como o Social Security, o Medicare, e o Medicaid.

A agenda econômica do candidato democrata, Barack Obama, defende cortes em várias taxas dos grandes negócios. Sua concessão principal ao descontentamento popular é o compromisso em acabar com o corte de impostos para pessoas que ganham mais de US$ 250.000 por ano, realizado pela administração Bush. Ao mesmo tempo, ele se compromete a “analisar linha por linha do orçamento federal”, buscando eliminar programas sociais e reduzir os gastos com os que sobrarem.

Os líderes do Congresso Democrático propõem um novo pacote de US$ 150 bilhões para estimular a economia, uma mera quantia se comparada com as necessidades das massas que surgem com a crise.

Nem os políticos, nem a mídia dão uma explicação séria sobre as raízes econômicas da crise. Eles são incapazes, uma vez que a crise é a expressão da falência do sistema capitalista que defendem.

Os governos democratas e republicanos presidiram um desmanche sistemático dos setores essenciais da indústria básica nas últimas três décadas. Ao mesmo tempo, a especulação financeira desenvolveu-se como mecanismo chave pelo qual uma pequena elite gerava lucros desvinculados do processo produtivo e da criação de valor real. O crescimento do parasitismo financeiro, que tomou um caráter cada vez mais criminoso, transferiu enormes riquezas da classe trabalhadora para o 1% mais rico da população. Um nível jamais visto de desigualdade social desenvolveu-se enquanto a “economia real”

Nenhum “pacote de incentivos” ou qualquer outro paliativo é capaz de resolver esta crise.

A única resposta só pode ser encontrada em um programa socialista. Os grandes bancos e instituições financeiras — juntamente com as principais corporações manufatureiras, de tecnologia, de comunicações, transportes, saúde e farmacêuticas — precisam ser de propriedade coletiva e convertidos em empreendimentos públicos, com completa indenização para pequenos acionários e colocados sob o controle democrático da classe trabalhadora.

As fortunas acumuladas pelos CEOs e os especuladores financeiros responsáveis pela crise devem ser confiscadas e transferidas para um fundo público para compensar as vítimas de práticas usurárias predatórias e de embargos domiciliares. Um programa de frentes públicas de U$ 3 milhões precisa ser lançado para reconstruir a infra-estrutura decadente do país, providenciar moradia e escolas decentes, assim como empregos bem remunerados e de período integral para o número crescente de desempregados.

Tal programa deveria ser pago por um sistema tributário progressivo que tira o peso das costas da classe trabalhadora, desviando-o para os milionários e também através do desmantelamento da máquina de guerra americana.

Essa perspectiva só pode ser realizada pela mobilização independente da classe trabalhadora em luta conjunta com os trabalhadores de todo o mundo, na direção do estabelecimento de uma sociedade baseada nas necessidades sociais e não nos lucros e na acumulação privada. Nos EUA, o primeiro passo é a classe trabalhadora romper conscientemente com o Partido Democrata e estabelecer seu próprio partido para lutar por um governo operário.

Esse é o programa promovido pelo Socialist Equality Party (Partido da Igualdade Socialista — SEP, sigla em inglês). Encorajamos todos os trabalhadores a apoiarem a campanha dos candidatos a presidente e a vice, Jerry White e Bill Van Auken; a estudar nosso programa e nossa história, tomar a decisão de juntar-se ao SEP e ajudar-nos a construí-lo como o novo partido de massas da classe trabalhadora.