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Acordo dará ao UAW participação majoritária nas ações da Chrysler

Por Jerry White
7 de maio de 2009

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Em um acordo negociado na Chrysler, a administração Obama elevou o sindicato United Auto Workers (UAW) à posição de principal diminuidor de gastos da empresa, dando-lhe a tarefa de ceifar os empregos, reduzir os salários e benefícios e impor aos trabalhadores que afirma representar condições de exploração ainda mais brutais.

O acordo da Chrysler servirá como modelo para uma traição similar contra os trabalhadores da General Motors.

A Casa Branca dará ao UAW o controle majoritário da Chrysler, com 55% das ações da companhia, e 39% da participação acionária na GM, tornando-o o segundo maior acionista da GM. Por sua vez, o governo federal será proprietário de mais de metade das ações da GM.

Isso completarará a transformação do UAW em uma empresa cuja renda depende de uma parcela dos lucros que vieram do suor dos trabalhadores.

Como observou a Business Week, "O sindicato, na verdade, será dono de uma porcentagem maior da GM e da Chrysler do que a família Ford tem da Ford Motor Company. Será proprietário de parcelas maiores da GM e Chrysler do que o financista bilionário Kirk Kerkorian foi capaz de acumular ao dirigir ambas as companhias.

O UAW, que está sendo aconselhado por uma firma de investimento de Wall Street, a Lazard, ganhará cadeiras nas mesas de diretores das montadoras e exercerá um papel protagonístico em reestruturar e enxugar as firmas, selecionar produtos e garantir "taxas de trabalho competitivas" em fornecedores-chave, até mesmo fará a revisão dos planos de produção mundiais da companhia.

Assim que milhares de empregos forem cortados e os trabalhadores forem roubados do que lhes resta dos ganhos de lutas passadas, o valor das ações da Chrysler e da GM irão subir, garantindo vastos lucros para Wall Street e seu parceiro júnior, o UAW.

O UAW está procurando forçar a aprovação do novo contrato com a Chrysler em um voto de ratificação hoje —menos de 24 horas após os trabalhadores terem recebido a lista de "apontamentos" contratuais do UAW. Até mesmo o que os executivos do UAW escolheram incluir em seu comunicado aos trabalhadores —como sempre, um documento desonesto e interesseiro projetado para ocultar mais do que relevar— demonstra que o UAW é um "sindicato" apenas em nome.

Tudo aquilo que os trabalhadores tradicionalmente associam com um sindicato —o direito de entrar em greve, maiores salários e benefícios do que trabalhadores não-sindicalizados, proteções no processo produtivo, a chance de aposentadoria com uma pensão estabelecida e benefícios de auxílio-saúde —tudo isso foi jogado fora.

Não haverá mais sequer a pretensão da barganha coletiva e garantias contratuais. No lugar, de acordo com o sumário do contrato, as taxas de salário e benefícios "serão baseadas na manutenção pela Chrysler de um custo total de trabalho horário comparável ao dos seus competidores nos EUA, incluindo fabricantes automotivos vindos do exterior."

Em outras palavras, os trabalhadores vinculados ao UAW receberão o mesmo ou menos que trabalhadores não-sindicalizados nas fábricas japonesas localizadas no Mississippi, Alabama e outros Estados do sul —com uma diferença: eles ainda serão obrigados a pagar o imposto sindical ao UAW.

Sob os termos do acordo, o pagamento de uma vez e meia o salário por tempo trabalhado além da jornada diária de oito horas será eliminado, com o cálculo das horas-extras com base semanal, ou seja, por horas trabalhadadas para além das 40 horas.

O intervalo será reduzido de 46 para 40 minutos diários.

Os custos de auxílio básico —ganho após uma greve de 67 dias por trabalhadores da GM em 1970— será eliminado, junto com os bônus de eficiência e natalino.

Os ofícios especializados serão fundidos em duas classificações.

O feriado de páscoa de dois dias será eliminado.

O serviço do UAW em vender a próxima geração de trabalhadores metalúrgicos como uma fonte de trabalho barata, sem a mínima segurança de emprego, continua. O acordo estenderá o uso de empregados temporários de meio-período e a contratação dos assim-chamados "empregados de entrada" que receberão metade do salário de trabalhadores mais antigos e receberão pouquíssimos benefícios e nenhuma pensão vinda do empregador.

Todos os trabalhadores da planta de Twinsburg, Ohio, serão forçados a aceitar salários de uma alçada inferior para manter a "viabilidade" da fábrica.

Benefícios de desemprego suplementares, que, junto com os benefícios de desemprego do governo, provinham trabalhadores demitidos com 90% de seus salários, serão bruscamente reduzidos logo no momento em que a companhia planeja um grande enxugamento. No lugar desses benefícios, os trabalhadores receberão a "assistência de transição" que, junto com os benefícios estatais, pagará apenas 50% do salário bruto de um trabalhador.

Talvez o tratamento mais brutal seja aquele dado aos aposentados e suas famílias. Como parte do acordo com a administração Obama, o UAW concordou em aceitar metade dos 10 bilhões de dólares que deve ao seu já subnutrido fundo da Chrysler de auxílio-saúde (conhecido como Associação Beneficiária Voluntária de Empregados, ou VEBA) em ações da Chrysler, em vez de dinheiro. Anteriormente, o UAW disse que não haveria mudança nos benefícios até 2012. Agora concordou em realizar "ajustes" imediatos nos benefícios. Esses ajustes incluem o aumento da parcela paga pelos segurados por remédios e a eliminação do auxílio dental e oftalmológico.

Embora o UAW afirme que os benefícios de pensão para trabalhadores de longa data e aposentados tenham sido protegidos, é amplamente divulgado que a Chrysler pretende jogar nas costas da frágil Corporação de Garantia de Benefício de Pensão do governo suas obrigações de pensão. Isso implicaria em cortes severos sobre os benefícios de pensão.

O acordo essencialmente arranca dos trabalhadores metalúrgicos o direito à greve. O atual contrato, que expira em 2011, será estendido para 2015 e quaisquer questões mal resolvidas devem ser solucionadas através de arbítrio autoritário.

Procurando garantir e aprovar sua traição, o UAW novamente afirma que concessões são necessárias para "salvar" a Chrysler e preservar empregos. As concessões são necessárias para garantir a assistência federal continuada pela administração Obama e prevenir a bancarrota, afirma o UAW, assim como para atrair a fabricante italiana Fiat a investir na companhia. Isso, o UAW se vangloria, proverá mais de 4.000 novos empregos.

De fato, sob os termos do "plano de viabilidade" ditado pela força-tarefa de Obama para os assuntos das montadoras e aceito pelo UAW, a Chrysler cortara bem mais que 4.000 empregos.

O resumo do contrato do UAW declara: "Reconhecendo a gravidade da situação e concluindo que falhar em corresponder às exigências do governo certamente significaria o fim da Chrysler, os negociadores do UAW trabalharam com afinco em modificações ao Acordo que atendessem aos requerimentos do governo e ao mesmo tempo resultam nos menores infortúnios aos nossos membros... Na face da adversidade, nós conseguimos novas garantias de produto."

Como todo o resto que o UAW diz, essa é uma mentira. Todo contrato de concessão que o UAW empurrou nos últimos 30 anos —desde o pacote de resgate à Chrysler em 1979-1980— foi imposto em nome da "segurança de emprego". Durante todo esse período, cerca de 3/4, de um milhão de trabalhadores da GM, Ford e Chrysler perderam seus empregos, e a demanda por concessões nunca parou.

Mesmo considerando a fusão com a Fiat, a Chrysler deve fechar ao menos sete plantas e completar planos para eliminação de 60% de sua força de trabalho de colarinho branco. Sob condições de crise econômica em agravamento e as menores vendas de automóveis em um quarto de século, a competição entre as montadoras globais em cortar empregos e custos de trabalho irá apenas se intensificar.

As novas concessões na Chrysler estabelecem uma nova e mais baixa referência, que irá desencadear uma exigência atrás da outra de mais concessões de salários e benefícios. Oficiais da Ford já indicaram que não podem aceitar uma "desvantagem competitiva" e esperam que os membros do UAW na Ford aceitem concessões similares.

Além do mais, a administração Obama não descartou a falência para rapidamente livrar a companhia de fábricas e bens não lucrativos e torná-la mais atraente para os investimentos da Fiat ou outras firmas.

Na segunda-feira, a GM emitiu um novo anúncio de corte de empregos, tornando claro que a administração Obama e o UAW estão conspirando para eliminar dezenas de milhares de empregos em excesso. A GM irá cortar outros 23.000 empregos —um terço de sua força de trabalho de colarinho branco— e fechar 18 de seus 47 complexos nos EUA. Além disso, eliminará a marca Pontiac e cortará em quase metade o seu número de concessionárias, um passo que irá destruir dezenas de milhares de empregos nessas distribuidoras.

A força-tarefa de Obama, liderada pelo investidor bilionário de Wall Street Steven Rattner, imediatamente elogiou o novo plano da GM como um "passo importante." Em suas ações no sentido de reestruturar a indústria automobilística, a administração Obama está funcionando como um implacável instrumento de Wall Street.

Os grandes investidores por muito tempo estiveram insatisfeitos com os retornos obtidos dos fabricantes de veículos, em comparação com as fortunas geradas pela especulação financeira. A força-tarefa insistiu que as companhias automotivas forneçam um "capital de retorno adequado" para Wall Street sob todas as circunstâncias, incluindo as de declínio econômico.

A elite dominante dos EUA vê o empobrecimento dos trabalhadores metalúrgicos das montadoras —por muito tempo os mais bem pagos trabalhadores industriais dos EUA— como um precedente para transformar as relações de classe, desencadeando uma onda de ataques contra os salários e contra toda a classe trabalhadora.

Enquanto os grandes investidores, os patrões das montadoras e o UAW asseguram seus interesses, os trabalhadores da GM, assim como os da Chysler, estão em face do desastre. Esse processo pode ser barrado somente pela rejeição dos contratos de concessão do UAW e pela mobilização dos trabalhadores de base para expulsar das fábricas o reacionário UAW.

Comitês de fábrica independentes, constituídos pelos trabalhadores mais militantes e conscientes de classe, precisam ser organizados para mobilizar os operários da Chrysler e GM contra a chantagem do UAW e do governo e proporcionar a união com os trabalhadores da Ford, assim como os trabalhadores das fábricas vindas do exterior. Um apelo especial precisa ser feito aos trabalhadores metalúrgicos canadenses e mexicanos e trabalhadores na divisão Opel da GM, na Europa, pela ação conjunta em defesa dos empregos e padrões de vida.

A ação industrial —greves, passeatas, ocupações de fábrica— precisa ser combinada com uma nova estratégia política. Os trabalhadores das montadoras precisam rejeitar a aliança traidora do UAW com o Partido Democrata e lutar pelo desenvolvimento de um movimento socialista de massas da classe trabalhadora.

[traduzido por movimentonn.org]