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As sanções dos EUA e o perigo de guerra

Alex Lantier
19 de agosto de 2017

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Publicado originalmente em 1 de agosto de 2017

A decisão do governo russo de expulsar 750 diplomatas e empreiteiros americanos após a aprovação, no Congresso dos EUA, de um projeto de lei que impõe sanções econômicas à Rússia, ao Irã e à Coréia do Norte marca um histórico divisor de água. As guerras neocoloniais lançadas pelos Estados Unidos e por seus aliados imperialistas, no último quarto de século, estão produzindo um colapso generalizado do comércio internacional e das relações diplomáticas, contribuindo para o risco de uma guerra entre as principais potências nucleares.

A vitória esmagadora da lei de sanções russa, na qual o Congresso dos Estados Unidos autoriza Trump a bloquear o comércio russo com a Europa, surpreendeu o Kremlin. No ano passado, na esperança de melhorar as relações com o governo Trump, a Rússia chegou a evitar a retaliação e a expulsão de diplomatas russos no governo Obama, depois que Washington emitiu declarações infundadas de que a Rússia tinha “hackeado" as eleições dos EUA. Desde a posse de Trump, no entanto, a facção da classe dominante dos EUA que exige um confronto com a Rússia, tem se tornado forte nos meios de comunicação e no aparelho estatal.

O projeto de lei, que passou sob protestos da Alemanha e da França, também aumentará as tensões entre Washington e seus supostos aliados da OTAN na Europa. Ontem, autoridades norte-americanas confirmaram que o Pentágono está reestabelecendo planos, abandonados em 2015, para armar o regime ucraniano de extrema direita que emergiu do golpe liderado por fascistas em 2014. O auxílio inclui mísseis anti-tanque e outros armamentos letais.

Como consequência, Moscou está planejando um confronto armado com Washington, colocando a situação militar na Europa em alerta máximo. "Esperamos bastante tempo para que algo pudesse ter mudado", disse o presidente russo, Vladimir Putin, num discurso televisionado neste fim de semana. "Mas mesmo com todas as coisas que estão postas, se houver algumas mudanças, não serão em breve".

Enquanto ameaça a Rússia, Washington continua escalando sua campanha contra a China. Após o teste de mísseis da sexta-feira pela Coréia do Norte, que potencialmente colocou as cidades dos EUA, incluindo Los Angeles, Denver e Chicago, no alcance das armas nucleares norte-coreanas, autoridades americanas confirmaram que estão considerando sanções econômicas contra a China. "Estou muito desapontado com a China. Os antigos presidentes permitiram que eles [China] lucrassem centenas de bilhões de dólares por ano em transações no mercado, no entanto em troca eles não fazem nada para resolver o problema na Coréia do Norte ", escreveu Trump em duas postagens do Twitter. "Não permitiremos que isso continue".

Após a declaração do Almirante americano Scott Swift, semana passada na Austrália, de que ele seguiria as ordens de Trump para lançar ataques nucleares contra a China, o Wall Street Journal publicou um comentário intitulado "A Mudança de Regime é a solução na Coreia do Norte", defendendo abertamente um golpe militar pró-EUA em Pyongyang.

Existe uma lógica política para essa implacável intensificação das tensões comerciais, diplomáticas e militares entre as principais potências. A situação não deve continuar assim por muito tempo sem que se transforme numa grande guerra.

A mídia está tentando minimizar o perigo diante da crescente preocupação popular. "As sanções são muitas vezes controversas", escreveu o New York Times sobre as sanções da Rússia em 27 de julho. "Mas elas são uma ferramenta não-violenta - e neste caso oportuna e apropriada - para deixar claro quando o comportamento de outro país passou dos limites e para aplicar pressão que poderia fazer com que seus líderes reconsiderassem tal curso ".

Quem o New York Times acha que está enganando? No último quarto de século, desde que a burocracia stalinista dissolveu a União Soviética, as sanções eram direcionadas a países - muitas vezes aliados à Rússia ou à China - como o Iraque, a Iugoslávia, o Irã e a Coréia do Norte, e em cada um dos quais, Washington e a aliança da OTAN tinham como objetivo a guerra ou a mudança de regime. Hoje, no entanto, as sanções estão direcionadas diretamente a grandes potências nucleares, peças importantes na economia capitalista mundial.

A última vez que Washington procurou armar o regime de extrema direita de Kiev, em 2015, Berlim e Paris se envolveram nas conversas e negociaram um acordo de paz entre Moscou e Kiev. Antes das conversações, o presidente francês, François Hollande, advertiu sobre o perigo de "guerra total", ou seja, guerra nuclear, entre a OTAN e a Rússia. À medida que Washington prepara uma nova escalada, a guerra total, sem dúvida, está sendo discutida ativamente em chancelarias, gabinetes de relações exteriores e sedes militares em todo o mundo, sem que o mundo inteiro tenha conhecimento do que está sendo discutido.

A eleição de Trump não foi a causa, mas um sintoma de um amplo colapso do sistema imperialista que ameaça o mundo com uma grande catástrofe. A lei de sanções dos EUA contra a Rússia tem um apoio bipartidário esmagador, liderado pelo Partido Democrata. As rivalidades das grandes potências, inclusive entre os Estados Unidos e seus aliados imperialistas europeus, estão enraizadas em conflitos objetivos alojados na estrutura do capitalismo mundial que - duas vezes no século anterior - entraram em erupção com guerras mundiais.

À medida que as principais potências lutam por posições estratégicas e por lucros de trilhões de dólares no mercado financeiro, é cada vez mais claro que as contradições do capitalismo identificadas pelos grandes marxistas do século 20 como as causas da guerra e da revolução social - a contradição entre a economia global e o sistema de estados-nação e entre a produção socializada e a apropriação privada do lucro - ainda estão acontecendo a todo vapor nos dias de hoje.

A questão política chave é a formação de um movimento de massa, anti-guerra e socialista da classe trabalhadora internacional. Uma situação em que os trabalhadores se deixam ser levados pelas facções capitalistas em disputa de poder só pode ter um final catastrófico. Enquanto as tentativas do imperialismo dos EUA de afirmar sua hegemonia global em colapso deverão elevar imediatamente a ameaça de guerra, seus rivais imperialistas europeus e as oligarquias capitalistas pós-soviéticas reacionárias na Rússia e na China não estão em uma situação muito diferente.

A política de Washington contra a Rússia e a China, sem dúvida, acelerará a atual movimentação das potências europeias, lideradas pela Alemanha, para despejar dezenas de bilhões de euros em suas forças militares e montar máquinas militares "independentes", ou seja, potencialmente hostis a Washington. Esta política imperialista, realizada nos interesses de lucro dos bancos e corporações europeias e financiada pelos ataques a trabalhadores europeus, vai de mãos dadas com o surgimento das forças políticas nacionalistas e de extrema-direita em todo o continente.

Quanto às oligarquias russas e chinesas, oscilam entre as tentativas de elaborar um acordo com as potências imperialistas ao mesmo tempo que se movem para enfrentá-las militarmente. Isso foi revelado na apresentação do presidente chinês Xi Jinping no domingo em um desfile militar maciço em Zhurihe. "O mundo não está todo em paz, e a paz deve ser salvaguardada", disse Xi, dizendo às tropas chinesas: "Sempre obedeçam seguindo o partido. Vão e lutem sempre que o partido precisar.”

Se o regime stalinista chinês, ou o Kremlin, optar por um confronto militar com Washington, isso poderia levar o mundo a uma conflagração nuclear.

A tarefa mais urgente é se mobilizar contra a guerra e a desigualdade social que está crescendo entre a classe trabalhadora em todo o mundo, como o Comitê Internacional da Quarta Internacional explicou em sua declaração, "Socialismo e luta contra a guerra:":

 



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