Nova pesquisa mostra que juventude dos EUA apoia cada vez mais o socialismo

Por Trévon Austin
20 Março 2019

Publicado originalmente em 13 de Março de 2019

Uma pesquisa da Harris para o portal Axios descobriu que uma maioria de jovens – os Milllenials, aqueles nascidos entre 1980 e 1994, e os da Geração Z, nascidos depois de 1995 – estão adotando o “socialismo” e políticas associadas a ele. A visão cada vez mais positiva do socialismo é a continuação de uma tendência registrada nos últimos anos.

De acordo com a pesquisa, que foi realizada em fevereiro de 2019, 61% dos estadunidenses entre 18 e 24 anos veem o socialismo positivamente. Além disso, 73,1% dos Millenials e da Geração Z acreditam que o governo deve oferecer saúde pública gratuita, e 67,1% pensam que a faculdade deve ser gratuita.

As três principais questões eleitorais para a Geração Z, de acordo com a pesquisa da Harris, são os tiroteios em massa, a igualdade racial e a política imigratória e o tratamento dos imigrantes. As principais questões para os Millenials são o acesso à saúde, o aquecimento global/mudança climática e os tiroteios em massa.

Uma pesquisa parecida da Gallup de 2018 descobriu que 51% dos estadunidenses viam o socialismo positivamente, enquanto menos da metade do grupo da mesma idade achava o capitalismo agradável. A inclusão de jovens entre 25 e 29 anos na pesquisa da Gallup dificulta uma comparação exata, mas os resultados da nova pesquisa da Harris sugere um crescimento no interesse pelo socialismo em relação ao ano passado, uma tendência corrente desde o fim da Grande Recessão.

A razão do interesse pelo socialismo não é difícil de ser encontrada. A juventude americana faz parte de uma geração que vivenciou apenas crises econômicas, degradação social, violência sem fim e a deterioração das condições de vida da classe trabalhadora.

Muitos não conseguem empregos com salários decentes e são forçados a viver com seus pais. O estudante termina a faculdade com uma dívida de aproximadamente 30 mil dólares, sem qualquer garantia de emprego. Além disso, pesquisas mostram que os Millenials serão a primeira geração a estar em piores condições do que a de seus pais.

Essa juventude cresceu em meio a “guerra ao terror” e foi sujeita a brutalidade policial e a violência das armas em casa e nas escolas. A campanha assassina dos militares dos EUA no Oriente Médio é imensamente impopular entre a juventude. Pelo quinto ano consecutivo, a polícia matou mais de mil pessoas, e a Marcha pelas Nossas Vidas do ano passado foi uma reação à sequência de tiroteios em escolas que custou as vidas de centenas de crianças.

O amplo apoio ao socialismo aterroriza a classe dominante, que teme acima de tudo que o crescimento da luta da classe trabalhadora no ano passado assuma uma orientação e perspectiva socialistas. Os EUA tem vivido uma onda crescente de greves e militância dos trabalhadores. De 2009 a 2018, os dias de trabalho perdidos por causa de greves saltaram de 124 mil para 2,8 milhões, um aumento de mais de 2.000%.

No mês passado, o presidente dos EUA Donald Trump realizou um discurso contra o socialismo e declarou uma cruzada global contra ele. Ele disse que os Estados Unidos “nunca serão um país socialista” no seu Discurso do Estado da União. Os discursos de Trump são um apelo direto às forças de ultradireita nos EUA e exalam o veneno do nacionalismo e xenofobia.

Por sua vez, os democratas tiveram duas reações distintas, mas paralelas. Uma facção dominante do establishment do partido se apressou em repudiar qualquer associação com o socialismo. A candidata à presidência democrata Kamala Harris disse recentemente a repórteres que não era uma “socialista democrática”, mas uma “democrata progressista”. Em 2017, quando respondia a um estudante da Universidade de Nova York perguntando sobre o futuro do partido, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, declarou: “Nós somos capitalistas”.

Os democratas tem trabalhado com a pseudo-esquerda para promover as políticas de identidade e fazer crer que a raça, o gênero e outras identidades são as forças divisórias da sociedade, ao invés da classe. A promoção dessa política de classe média em detrimento das divisões de classe na sociedade tem como objetivo dividir a classe trabalhadora, minando a consciência de classe, e, portanto, a consciência socialista, e levar adiante os interesses de camadas privilegiadas da classe média alta.

Por outro lado, existem figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, que receberam a tarefa de canalizar a oposição ao capitalismo em direção ao Partido Democrata. Significativamente, os Millenials e a Geração Z comporão 37% dos eleitores nas eleições de 2020. Uma grande parcela da juventude está reagindo favoravelmente à segunda eleição à presidência de Sanders.

O New Deal Verde de Ocasio-Cortez, uma referência ao New Deal do presidente F.D. Roosevelt na década de 1930, e a denúncia de Sanders dos grandes bancos e de Wall Street, fazem parte do esforço desesperado para impedir que o movimento à esquerda de trabalhadores e da juventude rompa com o Partido Democrata, uma organização política que avança uma agenda de direita, militarista, anti-classe trabalhadora e pró-capitalista.